Páginas

Mostrando postagens com marcador amizade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amizade. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Minha riqueza é a minha família

Primeira vez na piscina com o Papai, na casa da vovó Ana


Pessoal, boa tarde!
Sei que para muitos a farra precisa de um show da pesada, altas calibradas de birita, mulheres e rua madrugada a fora. Para muitas pessoas estar na multidão não quer dizer ter amigos e ainda assim sentem-se sozinhas. Qual o verdadeiro motivo para se viver feliz? Será que os amigos que você faz nas noitadas são seus verdadeiros amigos ou amigos de mesa de bar que só existem enquanto a conta está paga ou existe alguma bebida, caso contrário correm para o próximo bar e/ou o próximo "amigo"... quero dizer que a minha vida mudou com a chegada deste tesouro em minha vida.

Gustavo e a minha gatinha Viviane são as razões pelas quais eu ainda sou feliz. Hoje tenho tudo que preciso dado por Deus, pois o tudo que eu queria não posso ter. Queria que o meu pai visse o neto maravilhoso que ele ganhou. Sem esquecer do Isaque, meu sobrinho maravilhoso, pena que mora tão longe (Cachoeiro do Itapemirim-ES).

Minha riqueza é a minha família e por ela saiu triste, mas com o peito cheio de saudade dos meus amores e retorno cheio de amor para distribuir aos dois e receber o carinho deles que nunca muda, mas sempre aumenta. "Amor que eu nunca ví igual, amor que não se pede, amor que não se mede", já dizia Cidade Negra.

A todos àqueles que não têm um sentido na vida aconselho procurar um sentido urgente, o meu é minha família e o seu?

domingo, 24 de julho de 2011

A última saideira - por Cleomar Brandi

“Um dia, uma noite, algum boêmio sempre pede a saideira e os garçons nunca gostam dessa história. Mas, o certo, é que sempre chega a hora da última saideira. Dessa vez, chegou minha hora, meu último gole.

Eu, pessoalmente, não diria que estou indo contrariado. A hora e a vez de Matagra. Afinal de contas, soube beber com sede de aprendiz o melhor que havia na taça que a vida me ofertou. Uma taça lavrada, rescendendo a conhaque.

Nadei nas águas mornas de Arembepe, conheci Raulzito quando ele ainda se juntava aos seus panteras, com Thildo Gama e outros, vi Caetano, Moraes Moreira, Pepeu no encontro de trios, enquanto o poeta apontava com a mão a Baía de Todos os Santos. Arpoei caramuru, tirei polvo da toca, garanti as moquecas da minha adolescência, fui recordista de natação, ungido por Oxalá.
Fui bom de porrada, fiz meu nome nas turmas de rua do Lago dos Aflitos, joguei futebol e, nos babas, ganhei o apelido de “Leonam” onde sou conhecido assim até hoje. Fui batizado nos puteiros da Ladeira da Montanha, conheci Mestre Pastinha e Mestre Bimba, vi meu “Bahêêêa” ganhar para o escrete do Santos e Waldemar Santana encher Hélio Gracie de porrada.
Conheci os mistérios dos becos e ladeiras da velha Salvador, fui amigo de Cid Teixeira, Capinam, Guido Guerra e Luis Orlando, encarei dois anos de internamento no Hospital das Clínicas, tive febres diárias, colecionei escaras coloridas, vibrantes e sangrentas, decepcionei laudos médicos, busquei o tempo que eu queria da minha vida.

Um dia, uma brisa morna me carregou para o colo da bela Aracaju, onde eu soube ser feliz, no tempo que me restava. Aqui, bebi os melhores conhaques da minha vida, amanheci nas libações madrugadoras com o amigo-irmão José Eduardo Sousa, soube ouvir o violão de Pantera, a melodia de Paulo Lobo, o blues de Soyan, as conversas de Mariano e Bel nas andanças do Imbuaça. Aqui, plantei amigos, colhi irmãos, como o grande parceiro Gilson Sousa. Aqui, ouvi a melodia do Cataluzes, comi o melhor pirão de caranguejo do Pastelão, me fartei dos mistérios culinários da cozinha de Camilo.

Nessa terra, amei mulheres que reverencio até hoje. Fiz poemas para algumas, embriaguei-me com outras. Como esquecer do sorriso de Arlinda, que ganhou o mundo e acabou na Sorbonne? Como esquecer do sorriso sacana de Ana Paula? E os finais de tarde no Mosqueiro? E o chiado da tainha na frigideira do Bar de Nem? E a amizade terna da turma do JORNAL DA CIDADE e da Aperipê TV.

Como esquecer da lealdade de meus irmãos a vida inteira? E de Christina Brandi, cunhada que se tornou irmã? E da cumplicidade do irmão Chico Neto, que trilhou a vida inteira os caminhos do bom jornalismo, ético e honesto?

Um dia, o velho barril de carvalho pinga sua última gota de conhaque. E o poeta se despede de tudo, sem tristezas nem vexames. Apenas sabendo que cumpriu seu papel com dignidade, com honestidade e com um brilho de crianças nos olhos.

Quem sabe, eu encontre o amarelo dos girassóis nesse novo caminho?

PS: Os amigos estão convidados para a última saideira no Bar do Camilo, assim que terminar o sepultamento. Já está pago.”


NOTA: Este foi um mestre para muitos e para mim "vizinho" como nos cumprimentávamos, pois fomos vizinho de condomínio Praia Mar e Praia Bela, eu e ele. Saudades amigo, sua paciência e sabedoria me ensinou muito. Obrigado!